Como projetar o futebol em Campinas após a quarentena?

Como projetar o futebol em Campinas após a quarentena?

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Em período de quarentena, é enorme a torcida para que o medicamento 'hidroxicloroquina' abranda os males do coronavírus.

Caso seja apenas um paliativo e fiquemos neste lenga-lenga, pressupõe-se que reflexão sobre as coisas seja inevitável.

Na nossa realidade do futebol, qual o exercício de futurologia?

Ponte com futuro comprometido
Ponte com futuro comprometido

Vai ficar do mesmo tamanho ou terá abalo? Seria abalo suportável ou aquele de tremer na base?

Se a quarentena se estender por semanas, a economia será destroçada.

Nesta hipótese, a previsão de clubes profissionais de pequeno porte se transformarem em amadores com 'grife' é real.

Neste raciocínio, o que reservaria a clubes de estrutura média como Ponte Preta e Guarani?

Revisão de conceitos de gastos será imprescindível, principalmente se prevalecer tendência de escassez de receitas de televisão, patrocinadores, bilheterias e programas de sócio-torcedores.

TORCEDORES

E os torcedores, como vão reagir?

Aquele fanatismo pelo clube do coração continua intacto, ou a mexida no bolso modifica conceitos?

Ainda prevalecerá a máxima do treinador italiano Arrigo Sacchi de o futebol [profissional] ser a coisa mais importantes entre as menos importantes?

Mercenarismo da classe representativa da boleirada, quando da recusa de redução de 25% dos salários, fará o torcedor olhar para os seus ídolos com outros olhos?

E aqueles que pegaram trauma por aglomerações, continuarão a frequentar estádios?

AMADORZÃO

Ainda na hipótese de quarentena prolongada, e convencionando-se encurtamento da representação dos clubes profissionais de Campinas, estariam segmentos do futebol amador preparados para aproveitar o vácuo e discursarem sobre a validade de trazer 'desertores' às comunidades de bairros, representadas por clubes?

Até a década de 80 o Amadorzão de Campinas foi espelho no contexto regional, com vasto espaço na mídia impressa.

À época havia suporte da Polícia Militar, direcionando viaturas e homens às praças esportivas, mantendo-as sob controle.

Com abandono desta prática, adeptos da selvageria transformaram palco de jogos em praça de guerra.

Logo, houve dispersão da mídia.

RESGATE

Nos últimos anos o Amadorzão resgatou minimamente do muito que havia perdido.

Resta saber se, em havendo 'desertores' do futebol profissional, dirigentes de ligas amadoras de Campinas saberão como atraí-los.

Demonstrativo de desintoxicação nos palcos de jogos é imprescindível. Igualmente questiona-se se não há arbitragem viciada. Por fim, o bom marketing recomenda que evoquem o salutar pós-jogo, de animadas resenhas nas comunidades.

Nelas, molha-se as palavras literalmente.

MEMÓRIAS DO FUTEBOL

João Marcos: Memórias do Futebol
João Marcos: Memórias do Futebol
Coluna de áudio Memórias do Futebol está atualizada com duas postagens. A mais recente sobre o então goleiro João Marcos, morto no dia dois passado, em Botucatu.

João Marcos foi um alcoólatra que parecia incorrigível, mas deu um bico na bebida e até dava palestra. Ele morreu aos 66 anos de idade.

Por distração assumida, não foi atualizada a coluna de áudio da semana passada, que focaliza o saudoso lateral-direito Perivaldo.

Alô você, como dizia o radialista Fernando Vannuci: não queira usar o blog como 'boca de aluguel' pra cunho político. Tô 'tisourando' os seus abusos.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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