Janaína Paschoal é o que faltava a Bolsonaro para sua candidatura à presidência

Janaína chega ou chegaria, se aceitar ser vice, certamente para agregar. Sem deixar de lado suas possíveis firmes

por EDGARD SOARES - São Paulo

São Paulo, SP, 25 (AFI) - O fenômeno Bolsonaro, sim, porque não dá pra não chamar de fenômeno um deputado conhecido apenas no Rio de Janeiro, sem partido político minimamente expressivo, estar há dois anos liderando as pesquisas de intenção de votos (quando Lula não aparece como candidato) ou ostentando um segundo lugar quando os Institutos colocam o nome do líder do PT nas opções de escolha - pode ganhar um presentaço antecipado de Papai Noel.

Esta luz em seu caminho se chama Janaína Paschoal.

Independente das pesquisas - e estou falando aqui dos dois Institutos mais conhecidos do país - IBOPE e Datafolha - que, contrariados, o apontam na liderança, conheço e converso com inúmeras pessoas que não tendo optado por Bolsonaro nas pesquisas, gostariam de dar seu voto a ele, mas temem suas posições extremadas, muito mais influenciados pela verborragia do candidato do que propriamente pelas ideias que defende.

Meu amigo Murilo Hidalgo, dono do cada vez mais respeitado Instituto Paraná, me diz que nos seus levantamentos Bolsonaro é líder - mesmo com Lula presente na lista de escolha - em diversos estados brasileiros, não só os do sul/sudeste, mas inclusive Distrito Federal e Minas Gerais.

Janaína Paschoal expõe suas ideias e espera convite oficial
Janaína Paschoal expõe suas ideias e espera convite oficial

CHEGA PARA AGREGAR
Janaína chega ou chegaria, se aceitar ser vice, certamente para agregar. Para mostrar que sua presença numa chapa com Bolsonaro pode não apenas suavizar o discurso do "Mito", como definir o que é importante implantar num eventual Governo, sem as desnecessárias perfumarias de campanhas de marketing e ser o fiel da balança.

O seu discurso na convenção do PSL teve, na minha opinião, valor próximo do histórico, eleitoralmente falando. Concordo com todos os pontos de vista que ela colocou.

É preciso, além disso, ter muita coragem e segurança em suas convicções para se expor como ela se expôs. Vejamos:

MUITOS APLAUSOS
Janaína chegou para ser aplaudida e aclamada entusiasticamente como candidata a vice-presidente na chapa de Bolsonaro e foi o que aconteceu assim que pegou o microfone.

A primeira coisa que fez foi pedir que não a aplaudissem, que ela não estava ali para fazer um discurso político e, sim, para conversar. Para trocar ideia e para que a conhecessem melhor e só depois decidissem se a queriam como vice.

Em seguida, disse se sentir bem com o convite de Bolsonaro, mas tinha uma preocupação. A de que seria importante para sua decisão que algumas posições dos que o apoiam fossem repensadas. Que para votar em Bolsonaro não era necessário concordar 100% com o que ele falava e que o candidato estivesse disposto a não se sentir o dono da verdade.

Que ouvisse segmentos que poderiam apoiá-lo, mas necessitavam de garantia de sua postura para alguns temas. E que ela própria tinha suas dúvidas. Um silêncio tomou conta do ambiente.

PONTO DE DISCUSSÃO
Janaína tocou no assunto da discussão da diminuição da maior idade para responsabilidade criminal em alguns casos, afirmou que o importante era traçar uma linha mestra de governo e dessa linha não se abrisse mão, porém que alguns temas poderiam e deveriam ser discutidos com a sociedade.

E, mostrando muita personalidade, afirmou com todas as letras:

"eu acredito em Deus, mas não preciso utilizar isso como argumento eleitoral, nem exigir que as pessoas pensem igual a mim".

A frase, com certeza, desagradou os pastores presentes que apoiam incondicionalmente Bolsonaro. Nesta altura, havia tensão no ar.

POSIÇÕES CLARAS
Ou seja: Janaína, que estava ali para ser aceita unanimemente, não abriu mão de declarar exatamente como pensava: sobre drogas, aborto, sexualização prematura de menores e, principalmente, corrupção, o mal maior do país para ela.

Mostrou-se, enfim, como ela é e condicionou sua escolha como vice-presidente a que o partido e o próprio Bolsonaro discutissem os pontos que levantou e deixassem claro sua posição a respeito. E, encerrando, para mim, a sua frase mais importante:

"Não podemos ser um novo PT: sectário, fechado, ditatorial. Uma seita, ao invés de um partido".

APARÊNCIA DESPREZADA
Dando pouco importância a aparência, utilizando por cima do vestido, uma desajeitada e incompreensível capa, que dificultava até mesmo seus movimentos, falando o que politicamente poderia ter evitado, mesmo assim, ela terminou seu discurso aplaudidíssima.

Imagino que se ela tivesse a postura de palco e a silhueta de
Manuela D'Ávila sairia da Convenção como candidata não a vice, mas a co-presidente da República, ao lado de Bolsonaro. Um mito e uma musa.

Felizmente o que conteúdo do que falou, bastou.

COM BOLSONARO
Se eu fosse Bolsonaro, que coloca Deus em todas as suas falas, rezaria todas as noites para Janaina aceitar ser sua vice. E ela já disse que seria uma vice atuante.

Seria o fato novo que a maioria silenciosa do país esperava com as candidaturas abortadas no nascedouro de João Dória, Luciano Huck e Joaquim Barbosa.

Porque até o momento esta maioria representativa só tem uma dúvida sobre as eleições. Não sabe se depois dela, o melhor é mudar para Miami ou Lisboa.

Janaína vice-presidente da República atuante, poderia nos convencer de que o Brasil tem uma ainda chance de valer a pena.

EDGARD SOARES
Edgard Soares é jornalista e publicitário. Aos 17 anos já fazia parte da famosa Equipe 1040 da Rádio e TV Tupi e repórter da Folha de São Paulo, onde chegou a Editor de Esportes da Folha da Tarde. Criou e apresentou o programa de tv, "Estação Futebol". Em publicidade foi diretor de algumas das m
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